VASCO GRAÇA MOURA, advogado, político, escritor - mas sobretudo um homem da cultura - faleceu ontem, em Lisboa, com 72 anos.
Licenciado em Direito, exerceu a advocacia nas décadas de 60 e 70 do século 20. Depois do 25 de Abril de 1974, aderiu ao Partido Social Democrata (PSD) e foi Secretário de Estado da Segurança Social [no IV Governo Provisório: de 26 de Março a 8 de Agosto de 1975] e dos Retornados [no VI Governo Provisório: de 19 de Setembro de 1975 a 23 de Julho de 1976]. Mas na década de 80 do século 20 afastou-se da advocacia e da política e dedicou-se definitivamente à cultura.
VASCO GRAÇA MOURA foi Administrador da Imprensa Nacional / Casa da Moeda - período em que lutou contra o esquecimento dos autores portugueses do passado; Presidente da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Fernando Pessoa e da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses; Comissário-Geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha e também Director do Serviço de Bibliotecas e de Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian.
Desde Janeiro de 2012, era Presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém e, apesar de gravemente doente, manteve a função até ao fim, assim como o envio das crónicas semanais para o jornal "Diário de Notícias". Em Janeiro de 2014 foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada, pelo seu trabalho pela cultura portuguesa.
Nos seus últimos anos dedicou-se ao combate contra o Acordo Ortográfico que ele considerava "um crime de lesa-língua" e sobre o qual publicou, em 2008, o ensaio "Acordo Ortográfico: a Perspectiva do Desastre."