segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O peso da tristeza da época mais feliz do ano…


«A solidão, a perda de alguém importante ou a família desavinda podem deixar os sentimentos à flor da pele e fazer daquele que é, para muitos, o período mais alegre do ano um conjunto de dias que só queremos que passem depressa. Esta tristeza tem nome: chama‑se Christmas blues e mexe com a vida de muita gente durante o mês de dezembro. É um ritual de família e de reencontro, de união e comunhão, de amor, de «ninho». E é isso que torna a época feliz e especial. Mas são estas mesmas razões que também podem torná‑la um dos momentos mais difíceis do ano. Basta que, em vez de amor, haja desavenças. Ou que o «ninho» não exista ou esteja vazio. «Frequentemente, a tristeza, a culpa e a ansiedade sentidas nesta época têm que ver com um desfasamento entre as expetativas que interiorizámos do que deveria ser o Natal – enquanto festa religiosa e de comunhão de afetos – e aquilo que muitas vezes acabamos por vivenciar», diz o psiquiatra João Parente. Durante o resto do ano, tudo isto é mais fácil de ignorar. No Natal, quando as páginas das revistas e os anúncios na televisão se enchem de famílias felizes debaixo do pinheiro e os amigos extravasam todo o entusiasmo com a perspetiva da reunião familiar, toda a felicidade dos outros parece servir apenas para que alguns recordem (ainda) mais o que está em falta nas suas vidas.» 

Ilustração de Filipa Viana/Who
Texto [completo] de Sofia Teixeira 

[o meu obrigada especial à Vespinha!]

3 comentários:

hierra disse...

Eu acho que o texto foca o busílis da questão, o Natal é muito feito de expectativas e depois levamos com esta 'lavagem' da felicidade e das famílias perfeitas onde toda a gente gosta de toda a gente e é tudo muito lindo mas na realidade não é, e não é em 90% dos casos, embora não tenhamos essa percepção porque as pessoas disfarçam muito, põem fotos do que comem no facebook e fazem os outros acreditar que são felicíssimos quando na realidade não o são. Eu tenho aprendido a dosear as expectativas e ficar feliz com coisas pequenas. Esta não é altura para pensarmos em quem nos faz mal mas apenas em quem nos faz bem, não é altura para pensarmos nas desavenças mas nas boas relações que temos e sobretudo devemos assegurar-nos que, à mesa de Natal estão apenas e só boas pessoas, pessoas que nos querem bem e isso é o que mais interessa. Conselho de Natal: aprender a viver com o que a vida nos dá.

Tem um Bom Natal!

P.S - As canções de Natal do Michael Buble já tocam lá por casa ;)

Vespinha disse...

O meu Natal tem-se adaptado ao longo dos anos, com aparecimentos e desaparecimentos, uniões e desuniões... Há Natais mais felizes e mos felizes, alguns mais tensos do que deviam ser, outros mais harmoniosos... Mas continuo sempre a ter grandes expectativas.

Bella Condessa disse...

The story of my life :(