segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Resumo dos últimos dias...

Na quarta-feira a minha velhota adoptiva foi encontrada, pela técnica do Apoio Domiciliário, caída e inconsciente na sala da sua casa. INEM. Urgência do Hospital. Internamento por 24 horas. 

Entretanto na mesma quarta-feira eu tive um ataque de ansiedade e quase fazia companhia à velhota, mas adiante… 

Na quinta-feira de manhã, a velhota teve alta clínica, vulgo “despachada!”, e o relatório designava o caso como “Social”. No entanto a TAC craniana-cerebral revelava, sem dúvidas, sequelas de episódios isquémicos. Enfim, sem comentários… 

Na quinta-feira, durante o dia todo, movi o Céu e a Terra, e consegui uma vaga num lar relativamente perto de casa e, sobretudo, compatível [q.b.] com a pensão da velhota. Na sexta-feira tratei da parte burocrática e a minha mãe tratou da parte psicológica. 

No sábado de manhã, com a ajuda e o apoio da Directora do Serviço de Apoio Domiciliário - quem ofereceu-se para acompanhar-me - levei a velhota para o lar. 

E na despedida... “E quando vens buscar-me?” “Então, ainda agora chegou! Eu venho buscá-la quando estiver melhor, ok?” “Mas vens buscar-me, não vens? Não vais abandonar-me, pois não?” “Que disparate! Claro que não! Eu nunca a abandonarei!” 

O regresso para casa foi feito em piloto automático e sob uma estranha anestesia. A minha mãe - que ficou em casa porque não teve coragem de acompanhar-me; e eu também não tive coragem de pedir-lhe tal coisa - quando me abriu a porta e me perguntou “Então, como correu?”, a minha resposta foi chorar! E chorei durante uma hora, com a minha mãe a abraçar-me e acalmar-me: “Tu fizeste a coisa certa!” 

Ontem todo o meu sofrimento, físico e psicológico, converteu-se numa crise de dor e eu estive o dia todo sem me poder mexer (excepto para as necessidades básicas). Hoje acordei com dores no corpo, mas com paz na alma. 

Aos MUITOS que não me ajudaram, à Santa Casa da Misericórdia, à Segurança Social, às Assistentes Sociais que me disseram NÃO e me trataram abaixo de CÃO [citando o Trent Reznor] : FUCK YOU! 

Aos POUCOS [muito poucos - e vocês sabem quem são] que me ajudaram e apoiaram : MUITO OBRIGADA! 

E “last but not least”, um OBRIGADA ESPECIAL à SURICATE [ela sabe porquê!]

19 comentários:

S* disse...

Caramba, que complicado. Mas tenta visitá-la com frequência...

Eu sempre disse que não quero a minha mãe num lar (mãe, tio, tia, avó... essas pessoas). Espero nunca ter de tomar essa decisão.

Suricate disse...

GATA...Eu hoje não estou nada bem...e a primeira parte do teu relato pregou-me um valente susto!!! Depois acalmei...percebi:)...Sim minha GATA:) tomaste a decisão certa!
E eu estou aliviada...estava precisada de uma boa notícia, obrigada!
Agora faz-me um favor: Cuida de ti..e da tua mãe...

jinhoooosssss

Maria disse...

A solidão na velhice pode ser assustadora...felizmente nesse caso a idosa não estava só...alguém fez a diferença na sua vida...ainda que tenha doido deixá-la no lar...neste momento acho que não poderias fazer mais...fica em paz contigo..e se é perto poderás sempre v~e-la...!
beijinhos
Maria

Logan disse...

oh mulher a tua vida dá um filme :(

hierra disse...

É claro que tomaste a decisão certa! Ela está seguramente melhor do que entregue a si mesma e cuidada e nesta altura é tudo o que ela precisa!
Acredito que a dor que tiveste foi o organismo a descarregar o stress dos últimos dias. Agora é, seguir em frente, mais aliviada :)

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Complicado. Mas respira querida, vai tudo correr pelo melhor!
***

L'Enfant Terrible disse...

Bolas, que grande odisseia! Ainda que difícil esse deve ter sido a decisão mais acertada, se bem que noutros moldes a possível!
Agora é ver se as coisas acalmam e se ficas mais descansada!

medusa disse...

consigo imaginar como é difícil passar por uma situação assim, mas é importante que ela tenha alguém que cuide dela 24h por dia e tu não a abandonaste nem vais abandonar. Força e agora vê se relaxas um bocadinho para não te dar o badagaio.

medusa disse...

consigo imaginar como é difícil passar por uma situação assim, mas é importante que ela tenha alguém que cuide dela 24h por dia e tu não a abandonaste nem vais abandonar. Força e agora vê se relaxas um bocadinho para não te dar o badagaio.

Gaja Maria disse...

Foi a decisão certa, sem dúvida. Imagina que caía outra vez, assim está acompanhada e cuidada 24h por dia. Não te martirizes e cuida de ti. Beijinho

Lucy Francis disse...

sinto muito gata, este episodio da vizinha de idade so vai continuar a detiorar-se.
Estas a ganhar bom karma...ou sendo gata...outra vida

CAP CRÉUS disse...

És grande!
Estiveste muito bem e também já tive a minha conta com a SS.
Até que lhes desliguei o telefone nas trombas!
Boa sorte!

Smelly Cat disse...

Sinceramente, estou desde ontem sem saber o que te dizer. Deve ser muito duro, mas foi a melhor decisão, com certeza. Assim a tua velhota vai ter muito mais qualidade de vida.

Ana Ricardo disse...

Os nossos velhotes estão tão desamparados :(

Sorriso disse...

.. Como compreendo cada palavra do que dizes Gata, do que é deixar num local alguém que gostamos, que amamos..( mesmo que conheçamos alguém que é bem cuidado lá..), e ao que chegamos para sermos forçados a fazê-lo..Só quem passa por elas! :( Foram meses de angústia..e não penses que o fiz por não tentar encontrar outras soluções, tentei tudo!! ( ajudas externas em casa, etc etc...) cheguei ao limite de colocar em risco a nossa vida,porque não aguentávamos mais..a minha mãe que já tem 88 anos pior ainda! Antes se me contassem não achava ser possível..No meu caso ( recorrer ao Lar ( ainda hoje prefiro dizer que está numa casa familiar e é!...) não foi por falta de familia, de amor ..não não foi!!.Em casa não conseguíamos nem dormir uma noite que fosse , foram meses e meses. Os comportamentos agressivos cada dia eram mais insuportáveis...Os medicamentos não resultavam ..Que nenhum de nós diga que o Lar não é solução como eu tantas vezes repeti para mim própria..Realmente nas demências, não há duas situações iguais , é o que me dizem, só sei que há situações que são limite e essas passei:((.

Olha após 6 meses hoje estou muito tranquila, o lugar que encontrei foi onde o meu pai conseguiu voltar a ter rotinas a comer sem nos agredir ..a dormir uma noite , a aceitar vestir-se etc..A fazer as coisas no local adequado. Visita-mo-lo as vezes que queremos, vou lá a qualquer hora e é sempre igual , passamos as tardes que queremos com ele e está tão mais tranquilo lá até tem mais convivio , porque ele era tão tão sociável .., nem se reconheceria se pudesse ver o que é hoje!! :(((
Felizmente que Deus existe e me mostrou um lugar assim...Vais ver Gata que , com a tua velhota também vai ser assim...tranquiliza-te.


Deixo aqui o meu obrigada por poder desabafar aqui no teu cantinho, não te posso oferecer o meu porque não tenho blogue, talvez um dia com tempo..

Um abraço

Bigodes de Nata disse...

Finalmente a "tua velhota" pode ter ajuda especializada 24h por dia! Agora trata de te pores melhor, para não te dar mais achaques!!! Tens aqui montes de gente a torcer por ti :)))

Dudu disse...

Ainda bem que a "velhota adoptiva" te tem, não há muitos bons corações num tempo destes. E o que tu fizeste e fazes é um gesto de amor incondicional, o desgaste é brutal, mas a decisão foi a certa.

Vespinha disse...

Fizeste o melhor porque como estava é que não podia continuar. Agora visita-a sempre que puderes e está atenta, porque nos lares é preciso que a família, biológica ou não controle tudo muito bem.

E deixo-te aqui outro recado: se um dia precisares de companhia para algo semelhante, estou aqui. Eu também não o quereria ter feito sozinha.

Beijinhos

GATA disse...

Estimadas & Estimados:

OBRIGADA pelas vossas palavras e, sobretudo, pelo vosso conforto - aconchegou-me e aqueceu-me a alma!

Bjinhauuu!!!